domingo, 19 de julho de 2009

Enigma do Príncipe - Uma análise do Elenco

No sexto filme da saga, Daniel Radcliffe está melhor do que nunca, com um poder irônico aguçado, roubando as cenas cômicas outrora encarregadas por Grint. Ele tem a chance de mostrar seu outro lado nas telas, mais descontraído, livre das cenas pesadas ou emocionantes, que sempre demonstrou não ser seu forte (destaque ao terceiro filme, a cena em que ele chora pelos pais pode ser tudo, menos emocionante). No entanto, ele se sai muito bem na maravilhosa cena anterior à partida para a Caverna, passando a seriedade e o temor necessários para um conflito interno terrível.

Rupert Grint tem um evidente destaque, uma participação que ultrapassa as piadinhas piegas que sempre foi encabido de encenar. É bastante divertido acompanhá-lo pelas tensas (e dolorosas) partidas de quadribol, que lhe proporcionam um ego sem igual, capaz de causar disputa entre as garotas pela sua proximidade. Junto a Jessie Cave, que interpreta sua namorada, ele é responsável pela carga hormonal que quebra a tensão que o longa apenas sugere.

Hermione Granger tem um papel confuso e incoerente desta vez. Ora mostrando-se a aluna dedicada e sagaz ora tendo acessos depressivos absurdamente apelativos, a personagem tem a mera função de alimentar o contexto “sexo, drogas e rock’n roll”, como nas cenas em que pergunta a Rony se ele não se lembra “da noite passada”, ou quando compartilha seus fracassos no amor com o melhor amigo. Emma Watson não mostra algum avanço significativo, visto que a personagem não foi explorada como se esperava.

Michael Gambon apresenta-nos um Dumbledore mais sério e preocupado do que nunca, passando longe da sutileza e carinho que Richard Harris denotava com um simples olhar afetivo. Pode não ser o agressivo Dumbledore do quarto filme da franquia, mas ainda assim ele não se mostra extrovertido ou animado sequer nas cenas em que questiona as relações amorosas dos adolescentes. Falha miseravelmente nas cenas de tensão, embora tenha sucesso realmente honroso ao conduzir Harry, com o sentimentalismo paterno do personagem. Ele não colabora com o terror das cenas, mostrando-se indiferente no trecho da memória do jovem Riddle e na Caverna.

O enigmático professor Snape, interpretado pelo brilhante Alan Rickman, está mais gordo, mais sério e mais arrogante, felizmente deixando a patética mania de “atacar” os alunos por trás, enquanto estes conversam durante as aulas de Poções. Talvez porque ele não tem mais este cargo, aliás, na prática tem cargo de mero monitor, já que pela primeira vez na série suas aulas foram completamente cortadas. Falta-lhe destaque, visto que a história gira (ou deveria girar) em torno do mistério por trás de um livro que lhe pertenceu anos atrás. O asqueroso professor tem um regresso neste novo filme, o que é realmente lamentável, pois o fato é um tanto inédito para a franquia.

Helena Bonham Carter definitivamente conquistou seu espaço. Esbanjando os saltinhos frenéticos e guinchinhos diabólicos que já são sua marca, ela rouba a cena sempre que aparece. Mesmo em cenas quietas e tranqüilas, ela demonstra que não brinca em serviço, com seu sussurro gutural, sádico. É claro que arrumaram espaço para ela a cada vinte minutos de filme, não se dispensa uma atriz de seu calibre por mera fidelidade (seguindo o livro, ela teria apenas uma cena). Estaria perfeita se não fosse a culpada por tanta coisa ter ficado de lado, dando lugar a cenas, muitas vezes, completamente dispensáveis.

Dave Legeno surge como alguém que merece a honrada posição de comensal da morte ao lado de Helena, e inclusive se mostra tão presente quanto ela; o problema é que não há função alguma para o personagem, fora um rosto feio a mais pro lado das trevas.

Jim Broadbent é outro que sabe deixar sua marca. Suas caras e bocas soam extremamente agradáveis, mostrando que ele sabe equilibrar como ninguém o cômico e o trágico, não necessariamente havendo segregação das emoções. Fiel ao personagem dos livros (desconsideremos o bigode e o “enchimento”), ele tem o destaque que qualquer ator com seu currículo merece, mostrando-se tão presente quanto satisfaça o mais exigente dos fãs.

Tom Felton deve ser o que Harry Potter e o Enigma do Príncipe tem de mais valioso. O ator apresenta um Draco Malfoy fora do padrão covarde e sem potencial que estamos acostumados, pois dessa vez uma importante missão lhe foi incumbida: matar Alvo Dumbledore. Em inúmeras (e às vezes cansativas) cenas exclusivas, o personagem é responsável pela carga dramática do filme, exibindo um Malfoy mais destruído e aterrorizado do que nunca. O contexto no qual foi inserido é, diversas vezes, dilacerado pela insistência cômica do roteiro, muitas vezes inoportuna, contudo, o ator alcança o equilíbrio e consegue a emoção que Sir Gambon passou longe de alcançar.

Bonnie Wright, a até então comedida e fora de cena Gina Weasley, definitivamente tem um salto de importância para este novo filme. Não correspondendo nem de longe à Gina de até agora, ela se atraca com namorados publicamente e se oferece diversas vezes ao protagonista, claramente desesperada por uma oportunidade de ficar a sós com Harry. A personagem passa à vulgaridade em cenas extremamente sugestivas, sendo a principal responsável (ao lado de Lilá Brown) por quebrar o teor sombrio que o filme deveria preservar. A única cena que realmente causa expectativa é dilacerada por um beijo simples e rápido, estragando o esperado clima de (finalmente!) romance. Não temos, em momento algum, uma paixão desenvolvida, conduzida dignamente. Não passa de uma entrega total, sem surpresa ou hesitação alguma.

Evanna Lynch tem uma participação bastante reduzida, embora ainda cause espanto com suas despreocupadas tiradas excêntricas e aparentemente sem fundamento algum. Como todo ator excêntrico de qualidade, ela rouba a cena e marca sua presença, embora seja realmente útil apenas para encontrar Harry no Expresso e entrar em um tremulante vestido em rodelas.

É realmente uma pena que Hero Fiennes-Tiffin e Frank Dillane tenham uma participação tão rápida na produção, pois eles são responsáveis por algumas das melhores cenas. O garoto, parente do intérprete do Voldemort de até então, vive um Riddle arrogante e sombrio. Tom não pede, ordena; não se desculpa, ignora cerimônias. Sem a menor sutileza ou vestígio infantil, ele questiona Dumbledore sobre a magia, contando tudo que é capaz de fazer e sufocando o público com sua habilidade de causar medo através de uma singela criança.

Frank Dillane traz um Voldemort de 16 anos um tanto diferente do de Coulson (ator responsável pelo papel no segundo filme), menos ousado, talvez mais cuidadoso. Em uma rápida cena duplicada, ele mostra o poder de persuasão que o bonito e habilidoso assassino já tinha antes de se tornar o Lorde das Trevas. Seu controle de entonação contraposto à gentileza e curiosidade sutilmente colocada fazem dele um garoto atraente, embora claramente perigoso, perturbador, no que inquire ao professor.

Os novatos Jessie Cave e Freddie Stroma são os coadjuvantes para a carga descontraída do longa, destacando-se como verdadeiros problemas para os pares românticos obviamente traçados logo no início da trama. Compreenderam seus personagens muito bem e são os maiores responsáveis pelos risos do público, ao lado da personagem Romilda Vane. Lilá Brown é grudenta, intragável, romântica e egoísta, enquanto Córmaco se mostra desafiador, habilidoso, egocêntrico e relutante.

Matthew Lewis retorna em cenas rapidíssimas, sendo totalmente deixado de lado. Passa a impressão de surgir no longa somente para mostrar que Neville ainda está lá, ainda existe.

Os gêmeos James e Oliver Phelps têm a rápida função de explicar a origem do que o Harry usa para investigar Malfoy: o Pó Escurecedor Instantâneo do Peru. Mesmo fora de Hogwarts, os dois ainda aprontam todas, agora donos de uma loja de logros no Beco Diagonal. A rápida participação talvez seja o único momento de humor inteligente no filme, e em dose dupla!

Maggie Smith, Robbie Coltrane e Warwick Davies também estão inseridos como coadjuvantes, oscilando entre o humor e cenas sérias, embora nenhum tenha se destacado minimamente.

David Thewlis, Natalia Tena, Mark Williams e Julie Walters têm as menores participações até então. O Professor Lupin surge para colaborar com o mistério por trás de Malfoy, Ninfadora Tonks surge para meramente mostrar que ainda existe, Arthur Weasley ajuda Harry com algumas dúvidas importantes para entender o teor complexo do enigma e a Sra. Weasley se destaca apenas na triste cena em que sua casa é destruída, responsável por qualquer vestígio de emoção que possa haver na cena.

Repleto de atores da mais alta categoria britânica, Harry Potter tem o mérito de dificilmente falhar neste quesito, embora lhe falte premiações e reconhecimento. A expectativa para Relíquias da Morte é realmente boa, visto que as notícias de contratações tem sido bastante animadoras. A ansiedade desde já vem aumentado.

Um comentário:

  1. " Ninfadora Tonks surge para meramente mostrar que ainda existe [...]"

    >Verdade kkk

    Gostei do texto, só não concordo sobre o Dillane.

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